Clark
Gable, Joan Crawford, Rita Hayworth: deuses, criações
divinas do imaginário humano. Visões, conceitos imagéticos,
loucura onírica. Pedestais, reis e rainhas, pódiums de
vencedores imortais, protagonistas únicos de um enlevo característico
da fantasia humana. Características intactas de um mundo, universo
intocável, indelével em sua constituição,
inimaginável em sua plenitude. Verdadeiros? Concisos em sua intelecção?
Mera farsa? Solene ilusão?
Respostas...
Respostas às dúvidas: Hollywood.
O cinema nasceu experimento, provocou choque e incerteza quando tentou
se incursar em passatempo, ganhou poder e maestria, quando se tornou
indústria. Indústria dos sonhos. Seu peso e força
formados na cultura norte-americana, idéia do entretenimento,
do sonho trazido à terra, do estar em êxtase e delírio,
em simples contato com uma tela...tela prateada.
O primeiro nome referencial a este céu em meio aos mortais é
o grande e decisivo estúdio MGM. Criado, principalmente, por
Louis B. Mayer, em 1924, este era o local onde se produzia estrelas,
alçava-as ao céu, eternizava-se o que era apenas desimportante.
Antes de Hollywood, o público, que seguia as pequenas apresentações
de filmes em feiras ou cinemas de bairro, não conhecia o nome
dos atores que participavam dos trabalhos assistidos. O interesse que
as ligava ao cinema era pura curiosidade ou divertimento efêmero.
Quando a MGM chegou e tomou seus postos como maior estúdio, já
existiam intérpretes famosos. Um exemplo deles é Rodolfo
Valentino e seu “O Sheik”(1921).
No entanto, os anos 30 e 40 foram definitivos na formação
e desenvolvimento do que chamamos STAR SYSTEM.
Este “sistema das estrelas”, não era algo esquematizado
ou mesmo padronizado. Consistia na exploração da imagem
de atores e atrizes, que buscava proporcionar uma maior identificação
entre o público e o intérprete do cinema. Esta empatia
foi o laço derradeiro guardado para formar um casamento entre
filmes e indústria. O interesse pelo cinema não seria
mais a mera curiosidade e sim, o alucinante desejo de chegar mais perto
do ator ou atriz preferido, de alcançar astros e estrelas aparentemente
inatingíveis. Formaram-se ídolos, que mereciam cultos,
momentos de adoração, como em qualquer ritual religioso.
Conseqüência ligada a este sistema foi a criação
de uma relação ambígua entre fã e ídolo.
Ao mesmo momento em que o fã era submisso à imagem do
ídolo, ele tencionava sê-lo: as mesmas roupas, o cabelo,
a moda, as ações como um todo.
Além de característico do cinema hollywoodiano, o Star
System prova muito sobre a condição humana. Suas fraquezas,
a projeção de uma situação mais perfeita
e confortável acima de uma realidade inaceitável e obscura.
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