Assisti um filme pirata

por Alexandre Fugita 11:31

E não gostei. Sério! Foi o ótimo Caçador de Pipas e acabei por fazer uma experiência. Vi o piratão e também no cinema. Sim, este texto é antigo e estava guardado em algum lugar. Uma grande amiga me chamou pra ver o filme na casa dela. Suspeitei… O Caçador de Pipas não havia saido em DVD naquela época… Dito e feito, chegando lá era uma cópia pirata, daquelas do camelô.

A qualidade da imagem era péssima. Para um cinéfilo foi como voltar à era pré-VHS. Sim, a qualidade do VHS é melhor. Fora isso o som estava fora de sincronia. Claramente as falas estavam com atraso, parecendo aquelas dublagens mal feitas de novela mexicana.

E, claro, o filme vazou dos que o receberam para avaliar para premiações, essas coisas. De tempos em tempos aparecia uma frase informando-nos disso. Outra coisa que me incomodou demais foram as legendas. Haviam duas, uma em inglês - o filme é falado em sua maior parte em afegão - e a gambiarra em português mal escrito. Eu simplesmente não consigo ver filmes com duas legendas, faço um confusão total.

Já no cinema, a qualidade é excepcional. Tudo que eu não gostei na versão pirata estava perfeito no telão do cinema. Aí , sim, consegui assistir ao filme de forma prazerosa e ele se tornou o melhor um dos melhores filmes que vi este ano facilmente.

Resumindo, apesar da falência do modelo de negócios da indústria de entretenimento que eu tanto falo no meu outro blog, assistir filme de camelô piratão é uma experiência que nenhum cinéfilo deveria passar. Prefiro mil vezes pagar mais caro e garantir o prazer do que detestar uma obra não por ser exatamente ruim e sim pois a qualidade da exibição é um lixo.

 

Era uma vez e o desafio do boca-a-boca

por Alexandre Fugita 18:49

Assisti ao primeiro longa do diretor Breno Silveira por causa do boca-a-boca. De tanto falarem que 2 Filhos de Francisco era bom acabei assistindo. E, sim, foi ótimo! Já com o segundo filme dele, o Era uma vez, foi diferente. Fui a uma pré-estréia antes de todo mundo, ou seja, não fiquei sabendo através dos outros se era bom ou não. Melhor assim, expectativas neutras.

De forma geral gostei do filme. Trata-se da história de Dé (Thiago Martins), morador do morro do Cantagalo no Rio e seu envolvimento com a patricinha Nina (Vitória Frate), que vive em um apartamento em plena Viera Souto na praia de Ipanema. Daí surge um contraste que já vi em várias histórias. Parece um Titanic e um Romeu e Julieta misturados com Cidade de Deus, passando por Crash, guardadas as devidas proporções.

Conversando com um carioca, fiquei sabendo que o filme não mostra estereótipos forçados da sua cidade e que histórias do menino pobre e menina rica são até comuns no Rio de Janeiro. Alguns clichês foram óbvios demais, até engraçados. O final diferente pode dar um ar de filme alternativo, mas não se engane.

Já havia assistido a outros filmes com participação importante do diretor de Era uma vez. No ótimo Eu, Tu, Eles, Breno Silveira foi o diretor de fotografia. Lembro-me que gostei daquele filme tanto pela música quanto pela fotografia. Desta vez gostei da fotografia apesar da sensação JJ Abrams em algumas cenas.

O grande trunfo deste filme é o fato do Dois Filhos de Francisco ter sido um grande sucesso. O grande desafio é chegar ao mesmo patamar em termos de divulgação boca-a-boca.

Lista (e trailer) dos indicados ao Oscar 2008

por Alexandre Fugita 7:04

Demoramos… mas temos os links! Saiu a lista dos indicados para o Academy Awards, ou Oscar 2008. Vários blogs reproduziram, todos os sites de notícia tambem… Então, o que nos resta de diferente na lista publicada no Cinema Lido? Link, se aplicável, para imdb, wikipedia, trailer e site oficial de cada um dos filmes indicados. Um outro dia publicamos a escolha dos editores, bolão, etc… e se possível uma análise das principais produções presentes no Oscar 2008.

Melhor Filme/ Best Motion Picture of the Year

Melhor Ator/ Best Performance by an Actor in a Leading Role

Melhor Atriz/ Best Performance by an Actress in a Leading Role

Melhor Ator Coadjuvante/ Best Performance by an Actor in a Supporting Role

Melhor Atriz Coadjuvante/ Best Performance by an Actress in a Supporting Role

Melhor Diretor/ Best Achievement in Directing

Melhor Roteiro Original/ Best Writing, Screenplay Written Directly for the Screen

Melhor Roteiro Adaptado/ Best Writing, Screenplay Based on Material Previously Produced or Published

  • Christopher Hampton (imdb | wikipedia), por Desejo e Reparação/ Atonement
  • Sarah Polley (imdb | wikipedia ), por Longe Dela/ Away from Her
  • Ronald Harwood (imdb | wikipedia), por O Escafandro e a Borboleta/ Le Scaphandre et le Papillon
  • Ethan e Joel Coen, por Onde os Fracos Não Tem Vez/ No Country for Old Men
  • Paul Thomas Anderson, por Sangue Negro/ There Will Be Blood

Melhor Fotografia/ Best Achievement in Cinematography

  • O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford/ The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
  • Desejo e Reparação/ Atonement
  • Onde os Fracos Não Tem Vez/ No Country for Old Men
  • O Escafandro e a Borboleta/ Le Scaphandre et le Papillon
  • Sangue Negro/ There Will Be Blood

Melhor Edição/ Best Achievement in Editing

  • O Ultimato Bourne/ The Bourne Ultimatum | imdb | wikipedia | trailer | site oficial
  • O Escafandro e a Borboleta/ Le Scaphandre et le Papillon
  • Na Natureza Selvagem/ Into the Wild
  • Onde os Fracos Não Tem Vez/ No Country for Old Men
  • Sangue Negro/ There Will Be Blood

Melhor Direção de Arte/ Best Achievement in Art Direction

  • O Gângster/ American Gangster
  • Desejo e Reparação/ Atonement
  • A Bússola de Ouro/ The Golden Compass | imdb | wikipedia | trailer | site oficial
  • Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet/ Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street
  • Sangue Negro/ There Will Be Blood

Melhor Figurino/ Best Achievement in Costume Design

  • Across The Universe | imdb | wikipedia | trailer | site oficial
  • Desejo e Reparação/ Atonement
  • Elizabeth: A Era de Ouro/ Elizabeth: The Golden Age
  • Piaf: Um Hino ao Amor/ La Môme
  • Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet/ Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street

Melhor Maquiagem/ Best Achievement in Makeup

Melhor Trilha Sonora Original/ Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Score

Melhor Canção Original/ Best Achievement in Music Written for Motion Pictures, Original Song

Melhor Som/ Best Achievement in Sound

  • O Ultimato Bourne/ The Bourne Ultimatum
  • Onde os Fracos Não Tem Vez/ No Country for Old Men
  • Ratatouille
  • Os Indomáveis/ 3:10 to Yuma
  • Transformers | imdb | wikipedia | trailer | site oficial

Melhor Edição de Som/ Best Achievement in Sound Editing

  • O Ultimato Bourne/ The Bourne Ultimatum
  • Onde os Fracos Não Tem Vez/ No Country for Old Men
  • Ratatouille
  • Sangue Negro/ There Will Be Blood
  • Transformers

Melhores Efeitos Visuais/ Best Achievement in Visual Effects

  • A Bússola de Ouro/ The Golden Compass
  • Piratas do Caribe: No Fim do Mundo/ Pirates of the Caribbean: At World’s End
  • Transformers

Melhor Animação/ Best Animated Feature Film of the Year

Melhor Filme Estrangeiro/ Best Foreign Language Film of the Year

Melhor Documentário/ Best Documentary, Features

Melhor Documentário em Curta-Metragem/ Best Documentary, Short Subjects

Melhor Animação em Curta-Metragem/ Best Short Film, Animated

Melhor Curta-Metragem/ Best Short Film, Live Action

  • At Night/ Om natten | imdb | wikipedia | trailer | site oficial
  • Il Supplente | imdb | wikipedia | trailer | site oficial
  • Le Mozart des pickpockets | imdb | wikipedia | trailer | site oficial
  • Tanghi argentini | imdb | wikipedia | trailer | site oficial
  • The Tonto Woman | imdb | wikipedia | trailer | site oficial

Arqueólogos estão na moda

por Alexandre Fugita 0:32

Pelo visto arqueólogos estão na moda. O melhor de todos continua sendo o Indiana Jones, com certeza. Toda vez que me lembro de suas aventuras, me delicio a recordar as risadas e emoções vividas no final da década de 80 e início de 90.

Depois surgiram outros como a Lara Croft, da série de mesmo nome, Robert Langdon, do Código Da Vinci e outras obras do Dan Brown e também, mais recentemente, Benjamin Gates, da série A Lenda do Tesouro Perdido, nenhum com o charme da grife Indiana Jones.

Neste último Benjamin Gates volta no segundo filme da série com o subtítulo de O Livro dos Segredos (National Treasure: Book of Secrets, EUA, 2007, 124 min), referência ao possível livro secreto passado de presidente para presidente dos EUA. Entre tantos segredos que o livro guarda - da existência da Área 51 à morte de JFK - está parte do enigma que leva a uma cidade perdida, meio Inca, meio Maia, feita de ouro, um verdadeiro Fort Knox pré-Guerra Civil americana.

O filme em si esforça-se para ser interessante e engraçado. Mas a saída encontrada são clichês que os cinéfilos acham sem graça mas a platéia vibra. Claro, serve muito bem como diversão de fim-de-semana, sem compromisso. O Nicolas Cage já fez papéis muito melhores em filmes como Despedida de Las Vegas ou mais recentemente em O Senhor da Guerra.

Gosto de filmes que procuram tesouros escondidos. Mas prefiro o Indiana Jones como protagonista principal, mal posso esperar pelo seu retorno agora em 2008!

Veja também:

O que será que o David Lynch cheirou desta vez?

por Alexandre Fugita 1:10

Há cerca de três semanas fui assistir com amigos ao último filme do David Lynch, o Império dos Sonhos (Inland Empire, EUA, 2006, 180 min). Sério, não entendi nada mas, claro, isso já era esperado. Muitos dos filmes deste diretor enigmático exigem atenção extrema ou rever a fita algumas vezes.

Até onde eu entendi, existe uma história de uma atriz em crise existencial (Laura Dern), uma sala com pessoas fantasiadas de coelho e risadas aleatórias, e muitas cenas escuras que não usam o recurso da noite americana e portanto não passam de cenas escuras com alguns sons e falas, ou seja, sem imagem.

Não existe qualquer seqüência lógica na história, se é que existe uma. Segundo críticas que li, o diretor filmava a esmo cenas aqui e acolá na esperança de criar uma obra coesa. Pra mim não há coerência e sim muito humor nas coisas nonsense que acontecem na tela do cinema. Risadas não faltaram nestes momentos absurdos.

Pelo menos desta vez a loira não virou morena e nem a mulher virou um cara. Mas o fato de ninguém entender os filmes dele faz com que na tradução brasileira seus filmes invariavelmente contenham a palavra “sonho” no título, mesmo não sendo essa a tradução literal.

Meu nome não é Johnny

por Alexandre Fugita 4:21

Os filmes brasileiros passam por uma fase de certa prosperidade. Uns 5 anos atrás se alguém soubesse que você assistia a filme brasileiros, ou era motivo de piada, ou você era um estranho. Carandiru, mais do que Cidade de Deus, abriu ao povão o cartão de visitas da produção nacional. Desde então dezenas de filmes feitos em nosso imenso país ganham as telas todos os anos, como uma retomada estendida.

No começo os filmes eram ótimos, claro, excluindo desta conta os da Xuxa e semelhantes. Depois da popularização, a qualidade começou a degringolar. Foi nessa época que a moda era assistir a todas as produções tupiniquins. Eu pulei. Agora, novamente, produções de qualidade se destacam. O filme Meu nome não é Johnny faz parte desta última leva.

Apesar de longo, a história baseada em fatos reais é interessante. O próprio João Estrela, principal protagonista, faz uma “cameo” como enfermeiro do hospício. Só descobri ao ler os créditos finais. Cinéfilo que é cinéfilo gosta de ler as letrinhas miúdas que rolam ao final do filme. Até a Grace, do ótimo O Barato de Grace faz uma ponta no filme. Ela é a fornecedora de um Estrela iniciante no mundo do crime.

João Estrela é um cara sem rumo que acaba se envolvendo no mundo da distribuição de drogas. É quase que um dom natural. As mesmas habilidades não são demostradas no ramo financeiro. Apesar de movimentar de 5 a 6 zeros, vive sem dinheiro. Pelo menos é isso que deixa transparecer.

A história se passa em sua maior parte nos anos 80 e 90. De novo, como todo cinéfilo, fiquei procurando falhas nesta ambientação. Bom, neste quesito foi tudo muito bem estruturado. Para ajudar as datas que aparecem ao fundo do cenário batem com a realidade. João Estrela foi preso em 27 de Novembro de 1995 segundo o calendário na delegacia da PF. Foi solto em Dezembro de 1998. O dia 12 de Dezembro de 1998 é um Sábado, e essa data aparece em um cartaz no presídio, anunciando algum evento importante…

Se vale assistir? Vale.

Noitão HSBC de muitas filas

por Alexandre Fugita 21:26

Toda segunda sexta-feira do mês o HSBC Belas Artes faz o Noitão, três filmes da meia-noite às 6h, com um tema definido, sendo um deles surpresa. De vez em quando dou às caras pois trata-se de um dos meus passatempos preferidos e com bons filmes. O último deles aconteceu na madrugada do dia 12 de Janeiro e o tema foi “Mistérios e Mentiras”, com os filmes Paranoid Park, A Quase Verdade e O hotel de 1 milhão de dólares, este último o filme-surpresa da noite. Mas na verdade a surpresa acabou sendo outra.

Por algum motivo a organização do evento resolveu mudar o esquema do Noitão. Ao invés de ficarmos o tempo todo na mesma sala - e, por exemplo, tirar uma soneca no intervalo - os filmes é que ficaram na mesma sala, rebobinando, acho… Terminava um filme, tínhamos que nos direcionar ao outro e pegar fila. Ou seja, só nisso foram duas filas a mais durante a noite.

Claro, antes, todos pegaram fila para comprar ingresso, fila para entrar na sala de cinema, fila para pegar um refrigerante no café. Fila, fila, fila. Não sei quando aos outros frequentadores do evento, mas não gostei da mudança. Quem quer pegar fila às 2h da manhã? Eu não!